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Crochê Tunisiano: o Guia Definitivo da Técnica que Une Crochê e Tricô

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Existe uma técnica que parece mágica: produz um tecido denso e estruturado como o tricô, mas usa uma só agulha com gancho, como o crochê. Um híbrido fascinante que tem nomes diferentes em cada canto do mundo — afegão nos Estados Unidos, tunisiano no Brasil, Princess Frederick William stitch na Inglaterra vitoriana — e uma história tão envolvente quanto as próprias peças que ela produz.

Neste guia definitivo, o mais completo em língua portuguesa sobre o tema, você vai entender de onde vem o crochê tunisiano, como a técnica funciona ponto a ponto, qual agulha escolher, os quatro pontos fundamentais com diagramas, como resolver os dois problemas mais comuns (enrolamento e inclinação), e por onde começar seu primeiro projeto. Se você nunca tentou e está pesquisando por onde começar, este post tem tudo o que você precisa numa leitura só.

Mosaico com quatro peças em crochê tunisiano: cachecol em ponto favo de mel, manta listrada, blusa e regata — exemplos da versatilidade da técnica
Do cachecol ao colete, da manta à regata: o crochê tunisiano se adapta a praticamente qualquer projeto — peças de moda, decoração e acessórios.

Muitas vezes conseguimos identificar de longe com que técnica uma peça foi confeccionada só de olhar. Com o crochê tunisiano isso é especialmente fácil — colunas verticais densas, sem o “V” do tricô nem a textura aberta do crochê tradicional.

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A História Fascinante (e Misteriosa) do Crochê Tunisiano

Ao contrário do que o nome sugere, não há evidência histórica definitiva de que o crochê tunisiano tenha se originado na Tunísia. A história dessa técnica é um quebra-cabeça que historiadores têxteis ainda discutem — acredita-se que tenha evoluído de um estilo de “tricô com gancho” praticado no Norte da África e na Ásia Central, possivelmente com origens egípcias, mas a técnica como a conhecemos hoje só ganhou o mundo durante a Era Vitoriana, no século XIX.

A primeira menção registrada: 1857, na Suécia

A pesquisadora Cary Karp, em estudo publicado no Journal of Dress History em 2020, documentou que a primeira menção registrada de algo semelhante ao crochê tunisiano ocorreu na Suécia em 1857, chamada de tuniska virkstygn (ponto de crochê tunisiano). No ano seguinte, em 1858, a técnica explodiu na Inglaterra quando Mrs. Matilda Marian Pullan publicou o primeiro padrão oficial no livro The Lady’s Manual of Fancy Work.

Capa do livro The Lady's Manual of Fancy Work, de Mrs. Matilda Marian Pullan, publicado em 1859 — primeiro livro a publicar oficialmente um padrão de crochê tunisiano
Capa de The Lady’s Manual of Fancy Work (Pullan, 1859) — o livro onde aparece o primeiro padrão oficial registrado. Cortesia: Internet Archive / Domínio Público.

Curiosamente, Pullan não chamou a técnica de “crochê tunisiano”. Para celebrar o casamento da filha mais velha da Rainha Victoria, Victoria, Princess Royal, com o príncipe prussiano Frederick William, em 25 de janeiro de 1858, ela batizou o ponto de Princess Frederick William stitch.

Afegão ou tunisiano? A dança dos nomes

Se você pesquisar em livros antigos, especialmente nos Estados Unidos, raramente encontrará o termo “tunisiano”. Por muitas décadas a técnica foi chamada quase exclusivamente de Afghan Crochet (crochê afegão) ou Afghan Stitch (ponto afegão). A confusão tem uma razão simples: por muitos anos na América do Norte, a técnica era usada quase só para fazer mantas quadradas pesadas, conhecidas como “afghans”. Com o tempo, o nome da manta passou a dar nome à técnica.

Ao longo dos séculos, a técnica recebeu nomes curiosos que refletem a cultura da época:

  • Tricot Crochet — nome francês, já que “tricot” significa tricô, refletindo a natureza híbrida.
  • Railway Stitch (ponto de trem) — popular na Inglaterra, porque as jovens da classe trabalhadora faziam esse ponto rápido enquanto esperavam o trem para as fábricas.
  • Idiot Stitch ou Fool’s Crochet (ponto idiota / crochê do bobo) — um nome carinhoso dado na época porque a técnica era considerada tão fácil e viciante que “qualquer um poderia fazer”.

Hoje, “Crochê Tunisiano” é o termo moderno universalmente aceito, enquanto “Ponto Afegão” passou a designar especificamente o Ponto Simples Tunisiano (TSS).

O Que Diferencia o Crochê Tunisiano

O crochê tunisiano é frequentemente descrito como o “filho do crochê com o tricô”. Ele compartilha os movimentos básicos e o uso de uma agulha com gancho com o crochê tradicional, mas mantém todos os pontos da carreira na agulha simultaneamente, exatamente como o tricô. Veja a diferença na formação do tecido das três técnicas:

Comparativo entre crochê tradicional, tricô e crochê tunisiano — diferenças na formação do tecido lado a lado
Como cada técnica forma o tecido: aberto e arredondado no crochê, em “V” elástico no tricô, com colunas verticais densas no tunisiano.

A grande diferença estrutural é que o trabalho nunca é virado. Você trabalha sempre olhando para o lado direito (a frente) da peça. E cada carreira no crochê tunisiano é composta por duas etapas obrigatórias:

Carreira de Ida (Forward Pass)

Trabalhada da direita para a esquerda. Você insere a agulha, laça o fio e puxa uma laçada, mantendo-a na agulha. Ao final desta etapa, sua agulha estará cheia de pontos, como no tricô.

Diagrama da carreira de ida no crochê tunisiano — direção da direita para a esquerda, acumulando pontos na agulha

Carreira de Volta (Return Pass)

Trabalhada da esquerda para a direita. Você laça o fio e passa por dentro dos pontos, fechando-os 2 a 2, até sobrar apenas uma laçada na agulha. É a combinação dessas duas passagens que forma uma única carreira completa.

Diagrama da carreira de volta no crochê tunisiano — direção da esquerda para a direita, fechando dois pontos por vez

Características do Tecido Tunisiano

O resultado dessa técnica de ida e volta é um tecido com características muito particulares:

  • Densidade: significativamente mais grosso e estruturado que o crochê regular.
  • Pouca elasticidade: tem muito pouco stretch, o que o torna perfeito para peças que precisam manter a forma — bolsas, casacos estruturados, sousplats.
  • Velocidade: é considerado mais rápido de fazer que o crochê tradicional, e quase duas vezes mais rápido que o tricô.
  • Consumo de fio: prepare o bolso! O crochê tunisiano consome um pouco mais de fio que o crochê regular, e cerca de 26% a mais que o tricô para a mesma área de tecido.

As Ferramentas: As Agulhas Tunisianas

Para praticar o crochê tunisiano você vai precisar de ferramentas específicas. Como precisa acomodar dezenas (às vezes centenas) de pontos de uma só vez, uma agulha de crochê tradicional não dá conta do recado em projetos grandes. A anatomia da agulha tunisiana já entrega isso:

Anatomia da agulha de crochê tunisiano — gancho na ponta, corpo longo e batente na outra extremidade

Existem quatro tipos principais de agulhas para crochê tunisiano, cada uma ideal para um tipo de projeto:

Tipo de agulhaCaracterísticasMelhor para
Agulha reta longaParece uma agulha de tricô, mas com gancho na ponta e batente na outra. Geralmente medem de 25 a 35 cm.Cachecóis, golas, sousplats, faixas e blocos pequenos.
Agulha com cabo flexívelUm gancho curto conectado a um cabo de nylon longo com batente no final.Mantas, cobertores, xales grandes e cardigãs (projetos largos).
Agulha de ponta duplaUma agulha reta longa com um gancho em cada extremidade.Trabalhos circulares (gorros sem costura) e projetos com duas cores.
Agulhas intercambiáveisKits profissionais onde você rosqueia pontas de gancho de várias espessuras em cabos de comprimentos diferentes (curtos para peças pequenas, longos para mantas). Uma única caixa substitui uma coleção inteira de agulhas.Quem faz vários tipos de projeto e quer economizar a longo prazo — sai mais em conta que comprar agulha por agulha.

💡 Dica de ouro: a regra universal do crochê tunisiano é usar uma agulha de 1 a 2 números maior do que o recomendado no rótulo do fio. Se o fio pede agulha 4.0 mm, use uma agulha tunisiana 5.5 mm ou 6.0 mm. Isso garante que o tecido tenha caimento e não fique duro como uma tábua.

🔁 Vale a pena investir em um kit intercambiável? Em vez de comprar uma agulha tunisiana para cada espessura de fio (você vai precisar de várias), um kit traz pontas de gancho de 3,5 mm a 12 mm que se rosqueiam em cabos de tamanhos diferentes — curtos para cachecóis e golas, longos para mantas e cobertores. Em uma caixinha cabem 20 agulhas. A longo prazo sai bem mais em conta que comprar peça por peça — e libera a artesã para experimentar mais projetos sem precisar correr pra loja a cada novo fio.

Catálogo: as agulhas tunisianas no Bazar Horizonte

Na categoria de agulhas para crochê tunisiano do Bazar Horizonte você encontra desde opções nacionais e acessíveis em bambu da Círculo até os cobiçados kits intercambiáveis premium da KnitPro, Addi, Clover, Tulip e Prym. Veja algumas das principais:

Agulha para Crochê Tunisiano de Bambu Círculo 30 cm

Bambu Círculo 30 cm

Reta longa · iniciantes

Agulha para Crochê Tunisiano Círculo 35 cm

Alumínio Círculo 35 cm

Reta longa · duradoura

Agulha para Crochê Tunisiano Ponta Dupla Niquelada Prym 25 cm

Prym Ponta Dupla 25 cm

Trabalhos circulares

Kit de Agulhas para Crochê Tunisiano Bamboo KnitPro

KnitPro Bamboo (kit)

Cabo flexível · projetos grandes

Kit de Agulhas Intercambiáveis para Crochê Tunisiano Madeira Symfonie KnitPro

KnitPro Symfonie (kit)

Intercambiável · madeira premium

Kit de Agulhas Intercambiáveis para Crochê Tunisiano Addi Click System

Addi Click System (kit)

Intercambiável · sistema click

Os Pontos do Crochê Tunisiano

Existe um mito de que o crochê tunisiano é limitado a apenas um ponto. Na verdade, a designer americana Kim Guzman catalogou mais de 50 pontos diferentes em sua obra de referência. O que muda de um ponto para o outro é apenas onde a agulha entra na carreira de ida — mesma laçada, mesmo movimento, ponto de inserção diferente. Aqui estão os quatro fundamentais que toda iniciante precisa conhecer.

Ponto Simples Tunisiano (TSS)

É o ponto básico, também conhecido como Ponto Afegão. A agulha é inserida da direita para a esquerda por baixo da barra vertical frontal do ponto da carreira anterior. Cria uma textura de grade quadriculada, perfeita para bordar por cima em ponto cruz.

Diagrama do Ponto Simples Tunisiano (TSS) — onde inserir a agulha

Ponto Meia Tunisiano (TKS)

O favorito de quem ama a aparência do tricô, mas prefere usar a agulha de crochê. A agulha é inserida entre as duas perninhas verticais (o “V”) do ponto, atravessando para a parte de trás do trabalho. O resultado é idêntico ao ponto meia (stockinette) do tricô.

Diagrama do Ponto Meia Tunisiano (TKS) — onde inserir a agulha

Ponto Tricô Tunisiano (TPS)

Para criar a textura das bolinhas em relevo do tricô, você precisa trazer o fio para a frente do trabalho antes de inserir a agulha na barra vertical frontal. É um ponto essencial para criar barras, texturas e o famoso Ponto Favo de Mel (Honeycomb).

Diagrama do Ponto Tricô Tunisiano (TPS) — onde inserir a agulha com o fio à frente

Ponto Reverso Tunisiano (TRS)

A agulha é inserida na barra vertical traseira do ponto. Além de criar uma textura linda com linhas horizontais em relevo, este ponto tem um superpoder: ele não enrola — por isso é tão usado nas primeiras carreiras de qualquer projeto, como você vai ver na próxima seção.

Diagrama do Ponto Reverso Tunisiano (TRS) — onde inserir a agulha na barra traseira

📌 Consulta rápida — os 4 pontos fundamentais:

  • TSS · Ponto Simples — entra por baixo da barra vertical frontal · grade quadriculada para bordar
  • TKS · Ponto Meia — entra entre as duas perninhas (V) · imita o ponto meia do tricô
  • TPS · Ponto Tricô — fio à frente, entra na barra frontal · bolinhas em relevo
  • TRS · Ponto Reverso — entra na barra vertical traseira · textura horizontal, não enrola

Além desses fundamentais, existem pontos rendados (lace), tranças (cables) feitas com agulha auxiliar, ponto bolha (bobble), ponto palito e técnicas avançadas como Entrelac e Intarsia.

Solucionando Problemas: Curling e Slanting

Se você começar a fazer crochê tunisiano, inevitavelmente vai se deparar com dois “fantasmas” da técnica. Não se assuste — eles são normais e têm solução.

O enrolamento (curling)

A reclamação número um das iniciantes é: “meu trabalho está enrolando como um pergaminho!” Isso acontece porque a frente do tecido (onde os loops são puxados) fica mais apertada que a parte de trás (onde a corrente de retorno é feita). A diferença de tensão entre as duas faces faz o tecido rolar.

Quatro formas de evitar (ou corrigir) o curling:

  1. Use agulha 1 a 2 números maior do que o recomendado para o fio. Essa é a solução mais simples e a que resolve sozinha na maioria dos casos.
  2. Comece com 3 carreiras em TRS ou TPS antes de partir para o TSS. O TRS, especialmente, não enrola — funciona como um “freio” para o restante do trabalho.
  3. Adicione uma borda em ponto baixo em volta de toda a peça quando terminar. A borda “trava” o tecido na forma certa.
  4. Bloqueie a peça ao final do trabalho (veja a seção sobre bloqueio mais abaixo).
Diagrama explicando o enrolamento do tecido (curling) no crochê tunisiano e as quatro soluções para um tecido plano

A inclinação (slanting)

Às vezes, seu quadrado perfeito começa a inclinar para a esquerda, formando um paralelogramo. Isso é causado pela tensão irregular durante as carreiras de ida e volta — você está apertando demais um lado e soltando o outro, sem perceber.

Três ajustes que resolvem:

  1. Aperte o primeiro ponto da carreira de ida — esse é o ponto que mais “afrouxa” naturalmente. Forçar um pouco mais aqui equilibra a borda esquerda.
  2. Solte a tensão no último ponto da carreira de volta — quando você fecha o último laço da volta, ele tende a ficar muito firme. Solte mais que o normal.
  3. Pegue as DUAS alças do último ponto da carreira (frontal e traseira ao mesmo tempo). Isso reforça a borda direita e impede que ela “puxe” o tecido para o lado.
Diagrama explicando a inclinação do tecido (slanting) no crochê tunisiano e as três soluções de tensão

Como bloquear a peça (passo a passo)

Bloqueio é o processo de fixar a peça na forma correta usando água e tempo. Funciona melhor para fios naturais (algodão, lã, linho) — fios acrílicos respondem menos. Resolve curling, slanting e ajusta dimensões. Existem dois métodos:

Bloqueio por imersão (mais profundo, recomendado para a primeira vez):

  1. Encha uma bacia com água morna e um pouco de sabão neutro ou xampu. Submerja a peça e deixe por 15 a 20 minutos.
  2. Retire, pressione (não torça) entre duas toalhas para tirar o excesso de água.
  3. Estique a peça sobre uma superfície plana (manta de bloqueio, espuma EVA ou colchão coberto com toalha).
  4. Use t-pins ou alfinetes para fixar as bordas no formato correto, esticando levemente para deixar nas medidas finais.
  5. Deixe secar naturalmente por 24 a 48 horas. Não tire os pinos antes de estar 100% seca.

Bloqueio por vapor (mais rápido, para pequenos ajustes):

  1. Estique a peça e prenda com t-pins sobre a superfície plana.
  2. Passe o ferro a vapor a 1 a 2 cm de distância da peça, sem encostar — o vapor faz o trabalho. Movimente em toda a superfície.
  3. Deixe descansar pelo menos 30 minutos antes de retirar os pinos.

Crochê Tunisiano no Brasil e no Bazar Horizonte

No Brasil, a técnica vem ganhando força graças a artesãs apaixonadas que dedicaram anos a desbravar e ensinar essa arte. A maior referência nacional em crochê tunisiano é Andressa Lopes, da Amora Amorinha — psicóloga curitibana que descobriu a técnica em 2017, quando ainda era pouco difundida no país, e desde então se tornou a principal professora do tema no Brasil, com mais de 9 mil alunas formadas em seus cursos online. Andressa criou um vocabulário visual próprio para o tunisiano brasileiro, conectando a técnica tradicional a tendências contemporâneas de moda e decoração. Você pode acompanhá-la no Instagram (@amoraamorinha) ou no canal do YouTube, onde compartilha aulas e demonstrações generosas da técnica:

Marcas nacionais como a Círculo, a Linhas Corrente e a Pingouin têm investido em fios adequados e nas agulhas específicas para o mercado brasileiro, além de disponibilizar receitas gratuitas. Aqui mesmo no blog do Bazar Horizonte, você encontra peças completas para praticar:


Cachecol em ponto tunisiano com Fio Urbano Círculo — receita do blog Bazar Horizonte

Cachecol em Ponto Tunisiano

com Fio Urbano Círculo


Regata Brisa do Mar em crochê tunisiano com Linha Bella — receita do blog Bazar Horizonte

Regata Brisa do Mar

com Linha Bella Pingouin


Regata Militar em crochê tunisiano com Barbante Barroco Maxcolor — receita do blog Bazar Horizonte

Regata Militar

com Barbante Barroco Maxcolor

Ver todas as receitas de Crochê Tunisiano do blog →

Por Onde Começar: Seu Primeiro Projeto

Se você ficou com vontade de testar, nossa recomendação é não começar por um cobertor gigante. A técnica exige uma memória muscular diferente e suas mãos precisam se acostumar com a agulha longa.

Como subir a primeira carreira (foundation row)

A primeira carreira do tunisiano é o ponto que mais confunde quem está começando — porque mistura uma corrente de crochê (que você já conhece) com uma carreira de ida (que é específica do tunisiano). O caminho é:

  1. Faça uma corrente de N pontos (correntinhas comuns, igual ao crochê tradicional). N é o número de pontos finais da carreira. Para uma amostra de 15 cm em fio espessura média, faça 25 a 28 correntinhas.
  2. Carreira de base (ida): insira a agulha na segunda correntinha a partir do gancho, laçe o fio, puxe uma laçada e mantenha-a na agulha. Repita o mesmo movimento em cada correntinha seguinte, até o fim. Ao final você terá N laçadas na agulha (mesmo número da corrente inicial).
  3. Carreira de volta: sem virar o trabalho, laçe e puxe pela primeira laçada da agulha. Depois laçe e puxe por dentro das duas laçadas seguintes (uma a uma). Continue 2 a 2 até sobrar 1 laçada na agulha. Pronto: você terminou a primeira carreira completa.
  4. Da segunda carreira em diante: ida e volta, sempre. A agulha entra na barra vertical frontal (se for TSS) do ponto anterior, em vez de na correntinha.

Plano de aprendizado em 5 passos

  1. Compre uma agulha tunisiana reta de bambu tamanho 6.0 mm ou 7.0 mm.
  2. Escolha um fio de espessura média (worsted), sem pelinhos ou texturas, de cor clara — para enxergar bem os pontos.
  3. Comece fazendo amostras de 15×15 cm treinando o Ponto Simples (TSS).
  4. Transforme essas amostras em pegadores de panela ou eco-pads.
  5. Quando se sentir confiante, avance para um cachecol ou uma gola.

📐 Para ter referência de quanto fio comprar: uma amostra de 15×15 cm em fio worsted gasta cerca de meio novelo (50 g). Um cachecol simples de 25×150 cm em fio espessura média consome de 3 a 4 novelos de 100 g (300 a 400 g de fio). Uma manta de bebê (75×90 cm) em fio mais grosso pede de 8 a 10 novelos. Como o tunisiano consome até 26% a mais que o tricô para a mesma área, sempre compre um novelo a mais do que a conta indicar — não há nada pior que ficar sem fio na metade da peça e não encontrar o mesmo lote depois.

Quando se cansar do TSS, troque o ponto: faça uma amostra inteira em TKS, depois em TPS, depois em TRS. Você vai sentir nas mãos a diferença sutil entre os quatro — e, dali em diante, qualquer receita de tunisiano que pegar no blog ou em livros vai parecer familiar. Toda a coleção de receitas em tunisiano do blog está disponível para consulta — comece pelas mais simples (cachecóis e regatas) e avance para projetos maiores conforme a confiança aumenta.

Perguntas Frequentes

Posso fazer crochê tunisiano com uma agulha de crochê comum?

Não — pelo menos não para projetos maiores que pequenos quadrados de amostra. A agulha tunisiana precisa ser longa porque ela acumula todos os pontos da carreira simultaneamente (uma peça com 80 pontos exige 80 laçadas na agulha ao mesmo tempo). Uma agulha de crochê comum, que tem só uns 14 cm e cabo emborrachado no meio, não comporta mais do que 10-15 pontos. Para qualquer projeto sério, a agulha tunisiana reta (com batente na ponta) é obrigatória.

É melhor aprender crochê tradicional antes de partir para o tunisiano?

Não é obrigatório, mas ajuda. O movimento básico de “laçar e puxar” é o mesmo nas duas técnicas, então quem já faz crochê tradicional pega o tunisiano muito mais rápido — em geral em 1 a 2 horas de prática. Para quem está começando do zero nas duas, o tunisiano até pode ser mais fácil no começo, porque você não precisa contar pontos baixos, médios ou altos: o ponto simples tunisiano (TSS) é repetitivo e muito perdoador.

Quanto tempo leva para dominar a técnica?

O ponto simples (TSS) e a carreira de ida/volta você aprende em uma tarde. Em cerca de 2 a 4 semanas de prática (1 hora por dia) você já está confortável fazendo um cachecol ou uma manta pequena. Dominar os pontos avançados (TKS, TPS, TRS, favo de mel, entrelac) leva alguns meses. Mas a boa notícia é que mesmo só com o TSS você consegue produzir peças belíssimas — não é uma técnica que exige anos para dar resultado.

Crochê tunisiano serve para amigurumi?

Não da forma tradicional. O crochê tunisiano produz um tecido plano e denso, trabalhado em ida e volta sem virar — o amigurumi precisa de pontos trabalhados em espiral fechada para formar peças 3D ocas. O que existe são técnicas híbridas: bonecas modeladas com partes em tunisiano (corpo plano, depois costurado) ou amigurumis usando agulha tunisiana de ponta dupla para trabalhar em circular. Mas para amigurumi clássico, o crochê tradicional continua sendo a melhor escolha.

Fontes consultadas

Este guia foi elaborado com base em pesquisas têxteis de Cary Karp (The Princess Frederick William Stitch, Journal of Dress History, 2020), Kim Guzman (CrochetKim, referência mundial em catalogação de pontos tunisianos), Raffamusa Designs, PieceWork Magazine, The Craft Academic e TL Yarn Crafts. Imagens históricas: Capa de “The Lady’s Manual of Fancy Work” (Pullan, 1859) via Internet Archive (Domínio Público); Retrato de Victoria, Princess Royal (Winterhalter, 1857) via Wikimedia Commons (Domínio Público).

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Equipe Bazar Horizonte

Somos a equipe editorial do Bazar Horizonte, o maior armarinho virtual do Brasil. Há mais de 10 anos no mercado, testamos fios, validamos receitas e trabalhamos com artesãs renomadas para trazer conteúdo de qualidade em crochê, tricô, amigurumi, bordado, macramê, patchwork, costura e pintura em tecido. Cada receita publicada no blog passa por curadoria técnica: conferimos materiais, pontos e medidas antes de compartilhar com você. Nosso compromisso é oferecer passo a passo completo, com gráficos, fotos e dicas práticas para artesãs de todos os níveis — da iniciante à avançada. Encontre todos os materiais em bazarhorizonte.com.br

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